Defendendo a Ciência — Dentro do Razoável

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“Meu título fala em “Defender a Ciência”; mas, embora de vez em quando se ouça o ruído distante de uma batalha, ou um cheiro sutil de pólvora, este livro não tem a intenção de ser mais um combatente nas ditas “Guerras da Ciência”. Em vez disso, seu propósito é articular um entendimento novo, e tomara que verdadeiro, do que é a ciência e do que ela faz. Discussões sobre o Velho Deferencialismo, com seu foco na “lógica da ciência”, na estrutura, racionalidade e objetividade, e sobre o Novo Cinismo, com seu foco em poder, política e retórica — e sobre as correntes culturais profundas de admiração e mal-estar a respeito da ciência, das quais ambos são manifestações — servem aqui somente como pano de fundo para este projeto construtivo.

Meu título fala em defender a ciência “Dentro do Razoável”, e a brincadeira com ambos os sentidos disso é intencional. Defenderei as pretensões da ciência de nos dizer como o mundo é, mas somente de uma forma bem  modesta e qualificada (“dentro do razoável” em seu sentido coloquial), e da perspectiva de uma compreensão mais geral de capacidades e limitações cognitivas humanas, e do nosso lugar como investigadores no mundo (“dentro do razoável” em um sentido mais filosófico). A ciência conseguiu descobrir muito sobre o mundo e como ele funciona, mas é uma empreitada profundamente humana, desorganizada, falível e atrapalhada; e, em vez de usar um método singularmente racional não disponível a outros investigadores, é contínua com a investigação empírica mais corriqueira, “nada mais que um refinamento do nosso pensamento do dia a dia”, como Einstein afirmou certa vez. Não há um “método científico” distintivo e independente do tempo, só modos de inferência e procedimentos comuns a todas as investigações sérias, e os multifacetados “auxílios” que as ciências gradualmente desenvolveram para refinar as nossas capacidades cognitivas naturais: para amplificar os sentidos, aumentar o alcance da imaginação, estender o poder de raciocínio, e manter o respeito pelas evidências.”

— Susan Haack

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Autor: Susan Haack

“[A]prendi ao longo dos anos que tenho um temperamento resistente a comboios, filosóficos ou não; que sou péssima em fazer “networking”, no jogo de favores acadêmicos mútuos, em “me dar bem com os outros para me dar bem”, e na autopromoção; que eu tenho uma tolerância muito baixa a reuniões em que nada do que eu falo faz qualquer diferença no que acontece depois; e que sou indiferente ao tipo de lealdade institucional que, ao que parece, permite a muitos que acreditem na maravilha que são “nossos” estudantes ou “nosso” departamento ou “nossa” escola ou “nossa” universidade simplesmente porque são nossos. Também não sinto o que penso ser uma lealdade de gênero, um senso de que devo me aliar a outras mulheres na minha profissão simplesmente porque são mulheres – não mais do que sinto que devo me aliar a todo e qualquer filósofo britânico apenas porque ele ou ela é britânica. E, francamente, tenho repulsa pela corrida sórdida pelo topo após aqueles “rankings” malditos que agora são tão comuns em departamentos de filosofia. Em resumo, nunca fui boa na politicagem acadêmica, em nenhuma de suas profusas formas.

E, acima disso tudo, tenho o hábito deplorável de dizer o que penso, sem talento nem inclinação para titubear sobre discordâncias ou para abafar críticas com tato lisonjeiro, e um jeito irritante de ver o lado engraçado das alegações pretensiosas e flagrantemente absurdas dos filósofos – que não existem crenças, que é superstição se importar com a verdade das próprias crenças, que o feminismo nos obriga a “reinventar a ciência e a teorização”, e assim por diante.

Mas, na maior parte, para o presente propósito, também nunca me encaixei bem intelectualmente; de alguma forma, meus interesses e minhas ideias quase sempre conseguiram ficar fora da moda do momento, e muitas vezes fora da tendência dominante como um todo. Mais ou menos desde o princípio, pareço ter nadado contra a maré intelectual.”

— Susan Haack

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